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QUAL O MOTIVO DOS BEATLES SEREM TÃO POPULARES HÀ 50 ANOS ?


Por que os Beatles são tão populares há 50 anos?


Por que os Beatles são tão populares há 50 anos?

Em homenagem ao dia 13 de julho, dia do rock n’ roll, traduzimos um artigo muito interessante, escrito por Adam Gopnik e publicado na BBC News Magazine no dia 15 de junho de 2012 sobre uma das maiores bandas da história: os Beatles!
Embora a leitura em inglês seja simples, o artigo impôs alguns desafios.  A palavra inglesaentertainer carrega um significado mais denso do que a tradução artista é capaz de abarcar. O significado da palavra parece ser imanente à língua inglesa. Segundo o dicionário da Cambridge University, um entertainer é alguém cujo ofício é entreter pessoas através da música, do teatro, ou mesmo contando uma piada. Um artista? Sim. Mas nem tanto. O texto de  Adam Gopnik colocou as palavras artist e  entertainer juntas numa mesma frase e impregnadas de significados diferentes. Nossa compreensão, baseada na interpretação do texto, é de que artist é um artista completo, talentoso, criativo, apaixonado e que domina a técnica de sua arte, ao passo que o entertainer seria um artista menor. Por essa razão, escolhemos a palavra animador no intuito de colher em nossa língua o significado que o escritor buscou lhe atribuir.
O artigo original pode ser acessado no site da BBC News Magazine!
Fãs de Beatles, voilá!
Ponto de vista: Por que os Beatles são tão populares há 50 anos?

Primeira gravação em estúdio dos Beatles, em 1962, logo após Ringo se juntar à banda.

“A música do Fab Four perdura, pois reflete uma era pela qual nós ainda ansiamos”, diz Adam Gopnik. 
Neste verão, na Inglaterra, vocês celebram, como nós aqui sabemos, um aniversário de antigo e misterioso auspício: o jubileu de uma instituição que perdurou além do que muitos acreditaram possível, transcendendo sua terra natal na Grã-Bretanha para se tornar fonte de constante, quase ininterrupta, reafirmação para o mundo inteiro.
Refiro-me ao fato de que em poucas semanas nós celebraremos o quinquagésimo aniversário do primeiro show e primeira fotografia dos quatro Beatles.
Neste momento estou olhando para a fotografia. Nela estão os Beatles, como deveriam permanecer, juntos, John, Paul, George e Ringo então finalmente na bateria. Essa fotografia foi tirada naquela tarde, antes de uma das primeiras aparições públicas do grupo, em 22 de agosto de 1962.
E agora estou olhando para outra fotografia dos quatro, que seria a última tirada do grupo – de 22 de agosto de 1969, exatamente sete anos depois do dia e, pela luz, talvez na mesma hora.
Há algo misterioso, predestinado, cósmico a respeito dos Beatles – aqueles sete rápidos anos de fama e depois décadas de choque.
Eles aparecem em público como um grupo em 22 de agosto e desaparecem, como Mary Poppins, exatamente sete anos depois. Pense na linda canção Eleonor Rigby. Embora Paul McCartney consiga recordar em detalhes como pensou no nome da canção em 1965, descubriu-se que em Woolton, na igreja do cemitério de St. Peter, próximo ao lugar onde Paul encontrou John pela primeira vez, em 6 de julho de 1957, há uma lápide, humilde, mas claramente compreensível, à uma Eleoanor Rigby.
Paul deve ter feito uma inconsciente fotografia mental naquele dia fatídico e a manteve consigo ao longo da década. Mesmo coisas que eles fizeram sem muita vontade se tornaram emblemáticas: Eles caminharam rabugentos pela Abbey Road, pois estavam exaustos demais para ir onde deveriam ir para fazer a capa do álbum, e hoje todo turista americano em Londres caminha pela mesma rua, e investe passos mal humorados com charme e pretensão.
Os Beatles permanecem. Não é por acaso que no Jubileu da Rainha, aquela outra, terminou com Macca cantando quatro canções dos Beatles. Isso não foi só legal; foi apenas adequado (embora seja uma pena que Ringo não estava lá para tocar a batera).
Há um video popular que meus filhos gostam chamado “coisas que as pessoas nunca dizem”. Bem, eles não dizem “coisas”, mas o vídeo insiste que hoje as pessoas nunca dizem “eu não gosto dos Beatles”.
Todos gostavam deles na época, e todos gostam deles agora. Meus próprios filhos brigam comigo sobre os Rolling Stones e ficam confusos com os gritos estilo “Spinal Tap” do Led Zeppelin (porque que eles gritam em vozes americanas?).
Mas os Beatles são para eles tão incontroversos como a lua. Sempre aqui, a brilhar. Isso é estranho. Se a mesma coisa fosse verdadeira para nossa geração – a música popular que envolvia nossas vidas desde antes da I Guerra Mundial – isso seria mais que estranho, seria bizarro. Por que eles duraram?
A razão que costumamos apresentar é que eles refletiram seu tempo, foram um espelho de uma década, os anos 60, pela qual nós ainda ansiamos. Mas quanto mais eu os ouço e mais seu tempo recua dentro da História, mais eles parecem vitais.
Eu ainda me pergunto se figuras históricas populares verdadeiras nem sempre tem uma relação oposta com o seu tempo. Charlie Chaplin, um dos poucos artistas de comparável sedução, trabalhava depois da I Guerra Mundial, a era do automóvel e da arma de fogo, um dos mais perturbadores momentos da história.
Mas o trabalho de Chaplin, enraizado no teatro Vitoriano e nos romances de Dickens, evocava valores de um tempo anterior ao seu. A cidade em City Lights e The kid é a Londres de 1890, não Nova York de 1920. Sua arte, energética na superfície, era profundamente elegíaca.
Eu acredito que isso é também verdadeiro a respeito dos Beatles. Os Beatles não era provocadores, ainda que frequentemente místicos. Seu maior tema era a infância passada e o que se fazer com o áustero, racionado, mas em muitos aspectos ordenado e seguro mundo inglês em que eles cresceram, e que agora passava diante de seus olhos, em parte por causa das portas que abriram.
Seu mais duradouro trabalho, as canções Strawberry Fields e Penny Lane, contam, por um lado, a memória de um sonho com um jardim em Liverpool, onde um solitário e alienado menino encontrava consolo, por outro, uma rua em Liverpool onde um brilhante e sociável menino enxergava o mundo.
Sons nostálgicos – de bandas de metais e rick-a-tick dos anos 1920 ornamentam sua música, assim como os livros infantis. O livro de Alice, particularmente, recheiam suas letras.
A relação sexual pode ter começado, como diz Philip Larkin, com seu primeiro LP, mas os albums subsequentes raramente tiveram muitas relações com o sexo.
Seus maiores hits, She loves you e Hey Jude são canções de sábios e amigáveis conselhos de um amigo para o outro, que pirou por um romance. Peter Sellers interpretou o personagem de um irlandês de meia idade usando a letra de  She Loves You em uma conversa na mesa de um pub. “You know it’s up to you. Apologize to her”. Funcionou não porque era tão incongruente, mas justamente porque soava tão cogruente, tão sensata.
A música dos Beatles perdura acima de todas porque nós sentimos nela o poder da colaboração de personalidades opostas. John tinha o topo. Ele instintivamente compreendeu que o que separa um artista de um animador é que o artista busca surpreender, ou mesmo chocar, sua platéia. Paul tinha o domínio sobre todos os materiais da música, e sabia intuitivamente que a arte surpreendente que falha em entreter é mera vanguarda.
Nós vemos a diferença quando eles se separaram: Paul ainda tinha centenas de melodias maravilhosas e apenas uma esporádica ambição artística, enquanto John ainda tinha muita ambição artística, mas apenas um punhado de melodias. Mas naqueles sete anos, quando o topo de John conheceu o domínio de Paul, todos nós escalamos o Everest. (A propósito, não foi uma escolha arbitrária: Everest era pra ser o título do útlimo album, e o lugar para onde eles teriam ido antes de terminar atravessando a Abbey Road).
O destino de sua escalada persegue milhões de outros. Eu fui morar com a garota, que se tornou minha esposa, em Nova York no final do outono de 1980, e foi com alegria que nós vimos uma saudação de aniversário de Yoko para John e Sean preencher os céus da cidade assim que chegamos lá. Que John estava de volta ao trabalho no estúdio, depois de cinco anos distante, como soubemos pouco tempo depois, nos parecia um bom agouro. Nós estávamos juntos a noite, em nosso novo e pequeno lar, quando ele foi assassinado, do outro lado do parque. Nós podemos até ter ouvido o som dos tiros.
Eu acho que nunca me recuperei totalmente daquela noite. Minha fé essencial na benevolência do universo foi quebrada em pedaços. Algum acordo que, aos vinte, eu pensava que o mundo tinha feito comigo – de que as coisas ficaram bem, você acabou em Nova York com a garota que amava e o Bealtes do outro lado do parque – parecia me trair.
Ou ainda, eu aprendi na excitação daquela noite a verdade da vida adulta, de que o mundo não faz nenhum acordo com você, e o máximo que você pode esperar é negociar um tratado de curto prazo com ela – um armistício, em que o mundo, como um monarca meio louco, quebrará como bem entender.
O talento dos Bealtes era para a harmonia, e a visão deles estava acima de toda harmonia. E harmonia, vozes se entrecruzando numa canção, é ainda nosso mais forte símbolo de um bom lugar a vir.
No mundo do símbolo e do mito que a música não pode evitar mas criar, a melodia nos segue, e nos exorta, como a bela canção de John, Julia, o faz, para nos recordar de um passado melhor, que desejamos que fosse.
A harmonia, como forma simbólica, sempre estará adiante, como aqui percebemos o anunciar de um mundo melhor, onde todas os opostos cantarão juntos como uma unidade. É por isso que mesmo Bach e Handel terminaram suas maiores obras em um coral – para nos animar à um mundo onde poderemos chegar ouvindo um refrão que parece que já chegou lá.
A arte nos torna vivos e cientes, às vezes com medo, mas isso nunca nos deixa feliz. Cinquenta anos depois, os Beatles vivem porque eles ainda nos concedem aqueles sentimentos mais maravilhosos: a apreensão de uma felicidade que nós podemos alcançar, como uma mão.
posted on 11 DE JULHO DE 2012 by ENGLISHMAZE in ENTRETENIMENTO
Traduzido por Oberon Traduções 

Fonte:http://www.oberontraducoes.com.br/por-que-os-beatles-sao-tao-populares-ha-50-anos/

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